Mais verbetes do Dicionário Filisteu



BANCO

Agiotagem autorizada.

BÍBLIA

Compilação de contos da carochinha para adultos.

CINEMA

Ver Sétima Arte.

CÍNICO

Romântico que se desiludiu.

COBRA

Animal que não serve para nada, exceto como símbolo para tudo.

DIABO

Entidade originada pela ilusão de que não somos maus o suficiente.

GRAVIDADE

Força que constitui a principal causa das hemorróidas.

HOMEM

Animal bípede, único a sofrer de hemorróidas e doenças venéreas.

INGLÊS

Idioma bárbaro em que os adjetivos, sem nenhum proveito visível, antepõem-se aos substantivos.

INSTITUIÇÃO

Organismo mais valorizado do que o ser humano porque vive mais do que ele.

LIBERDADE DE EXPRESSÃO

O mesmo que liberdade de ofensa.

MATERNIDADE

Consolidação da aversão feminina pelo trabalho remunerado.

MÍDIA

Conjunto de meios de comunicação empenhado em tornar célebres criaturas com grande talento para o anonimato.

MODELO

Certa famosa e belíssima modelo, quando perguntada sobre o consenso geral de que as modelos são burras, respondeu o seguinte:
— Esse negócio de ser burra é relativo, porque algumas pessoas são, e outras não são.

MUSA

Mulher que não podemos comer, portanto sublimamos.

PADRES CASADOS

“Padre, me perdoe porque eu pequei: dormi com a sua mulher.”

“Benhê, você tem que parar de tomar emprestada a minha batina.”

“Não me venha com essa conversa de sigilo, Romão! O que aquela sirigaita estava cochichando pra você lá no confessionário?”

“Querida, já falei para você não deixar o júnior ficar crucificando os ursos de pelúcia.”

PIADA INFAME

É aquela da qual se ri a despeito de sabê-la sem graça, gratuitamente cruel e/ou obscena — como a de que o Pinóquio pegou fogo ao masturbar-se —, ou aforística e/ou pretensamente engenhosa — “carteiro é alguém que gosta de sê-lo” —, dentre outros deméritos evidentes.

POLITICAMENTE CORRETO

Processar por racismo quem afirma não gostar de humor negro.

RISO

Reação espasmódica perante algo em que não acreditamos.

SALMO FILISTEU

O Senhor é meu pastor,
Ele me faz pastar.


SARAMAGAR

Escrever em 20 páginas o que se pode escrever em duas linhas.

SÉTIMA ARTE

Arte de sétima categoria.

SORTE

Alternativa ao mérito.

TEMPO

O maior assassino de todos, o único que não morre, jamais é punido, e ainda é cobiçado por todo mundo.


 

Dicionário Filisteu



ARROGÂNCIA

Escudo da timidez.

ATRASO DE VIDA

O mesmo que adiantamento da morte.

CASAMENTO

Para a mulher, alternativa natural ao trabalho.

CHATO

Indivíduo cuja namorada, quando ambos vão ao cinema, assiste ao filme.

CHUVEIRO

Artefato expedidor de água que, quando em funcionamento, aciona infalivelmente o telefone.

CRIANÇA

Criatura que entende demais, ou de menos, o que lhe é dito.

DEUS

1. Entidade cuja existência vincula-se à crença quantitativa nessa existência.

2. Estado de espírito.

DINHEIRO

Objeto de displicência por parte de quem nunca proveu o próprio sustento.

FELICIDADE

Algo que se poderia ter tido, que se poderia ter, que se poderá ter, mas que nunca se tem. Ver Deus.

FILOSOFIA

Disciplina que oferece conforto às mentes serenas, ou seja, que não precisam dela.

GAROTA DE PROGRAMA

Ele a conhece, ela gosta dele, conversam. Ele pergunta se ela é uma garota de programa. Ela dá um sorriso amargo.
— É tão evidente assim?
— Não, não é.
— Se não é, como você descobriu?
— Você é claramente uma mulher independente, mas em nenhum momento quis falar em que trabalhava, o que é incomum: mulheres que possuem uma carreira gostam de falar sobre ela, a não ser que não se orgulhem dela.

LOUCO

Indivíduo que não sabe (ou esqueceu) como fingir.

MULHER

Animal intermediário entre o homem e a criança, cujo núcleo pensante encontra-se no útero, sem que o núcleo gerador se encontre no cérebro.

REENCARNAÇÃO

Hipotética continuação de um filme cujo desfecho não agradou.

RELIGIÃO

Heresia que obteve poder.

SAPO

Sigla para Sociedade Altamente Perigosa e Oculta.

SEBO

Destino final dos livros doados à Biblioteca Municipal de Londrina.




 

A Organização



Era igual a qualquer outro escritório, todo em tons acinzentados: paredes, teto, carpê, tudo cinza.
O homem sentado à minha frente parecia mimetizar-se com a sala, ele também todo de cinza, paletó, gravata, grisalho, japonês...
— Pode-se dizer, respondendo à sua pergunta, Sr. Filisteu — dizia ele com voz cinza —, que o tipo de consultoria que prestamos é aquela dirigida a auto-extintivos em potencial.
— Auto-extintivos?
— Um termo que cunhamos em substituição ao algo pejorativo “suicidas”.
— Quer dizer que vocês induzem pessoas ao suicídio...
— De modo algum. Não induzimos as pessoas que nos procuram a coisa alguma que elas já não estejam de antemão inclinadas a fazer. A partir daí, apenas trabalhamos a opção pela auto-extinção como uma opção válida, dentre outras. Sem hipocrisia, moralismo nem falso otimismo.
— E de que forma vocês vendem o suicídio, ou auto-extinção, como “opção válida”, Sr. Botura?
— Gostaria de esclarecer, antes de qualquer coisa, Sr. Filisteu, que não vendemos coisa alguma, somos uma organização sem fins lucrativos. Todos aqui são voluntários, inclusive eu.
— Queira desculpar. De que forma vocês apresentam, então, o suicídio como “opção válida”?
— Em primeiro lugar, deixamos que o cliente se sinta à vontade para falar no assunto, sem encará-lo como tabu. Em qualquer outro meio que não o da nossa organização, basta a pessoa dizer que pensa em suicídio para que todos ao seu redor o encarem como louco, maníaco-depressivo ou tentem freneticamente dissuadi-lo de sequer contemplar tal pensamento. Os seus entes queridos reagirão escandalizados, pensando egoisticamente não no sofrimento dele, mas no seu próprio sem ele. Um religioso de qualquer profissão o ameaçará com a culpa, com a danação eterna num inferno que pintará sempre mais horrendo que o da terra. Um psiquiatra o ouvirá, mas tomará tal inclinação como desvio mórbido e esforçar-se-á para evitar a todo custo que ela se concretize, inclusive drogando o paciente ou até internando-o num sanatório e coibindo-lhe os movimentos, tudo para impedi-lo de exercer sua sagrada prerrogativa de decidir pela própria extinção.
— E, depois que vocês ouvem o seu paciente...
— Cliente, caro Sr. Filisteu. Não somos médicos, portanto não temos pacientes.
— Ah, sim, claro. Depois de ouvir o seu cliente, deixando-o à vontade para manifestar apreço pela idéia de suicídio... o que acontece?
— Expomos de forma sumária as muitas teorias sobre o além-túmulo, elaboradas pelos filósofos e metafísicos de toda as épocas, mas sem manifestar aprovação ou desaprovação por qualquer uma delas. Cabe ao cliente fazer a sua escolha. Basicamente é a isso que nos propomos: ajudar pessoas a sentir-se livres para escolher, e que se sintam bem com sua opção. Depois da parte teórica, fornecemos orientação sobre disposições legais, por exemplo, o que acontecerá aos dependentes do cliente caso este se auto-extinga, qual a forma de partir deste mundo causando o mínimo de transtorno aos que ficam, esse tipo de coisa.
— Certo. E depois?
— Em seguida vem a terceira etapa da nossa consultoria: assessoria técnica. O cliente é orientado quanto ao melhor meio para executar sua auto-extinção. A maioria já vem com uma idéia pré-concebida: revólver e veneno são os preferidos, mas nem de longe os melhores. Tiro provoca muito barulho e sujeira, enquanto veneno, ao contrário do que se vê nos filmes, raramente é indolor, e pior ainda, as mais das vezes não é letal, dependendo da dose ingerida, da saúde do cliente etc. Para os clientes que vivem sós (a maioria) recomendamos, por exemplo, auto-extinção por inalação de gás. Dispomos de um catálogo que contém oitenta e três tipos de gás letal, a maioria podendo ser obtida pela simples queima de substâncias obteníveis em qualquer farmácia.
— Vocês não consideram, então, Sr. Botura, a vida o mais precioso dos bens?
— Somos a favor da vida, não do sofrimento. Por que considerar sagrada ou preciosa uma existência sem dignidade, esperança ou perspectiva? Só porque é a única que conhecemos? Um pássaro criado desde o nascimento numa gaiola deve amar a gaiola só porque não conhece o lado de fora dela? Uma vida insuportável nada é além de uma morte postergada.
— Qual o embasamento ideológico de vocês?
— Não nos inspiramos no Romantismo europeu do século XIX, nem na Rosa Negra, nem em qualquer movimento de apologia ao suicídio. Não somos uma associação religiosa, médica, filosófica ou artística, mas tão-somente humanitária. O que não impede que sejamos norteados pelo pensamento de um grande filósofo, Nietzsche, que diz em Além do Bem e do Mal: “A idéia do suicídio é um potente meio de conforto: com ela superamos muitas noites ruins”.
— O senhor disse que a organização não tem fins lucrativos; como ela se mantém?
— Somos mantidos com contribuições de ex-clientes.
— Mas os ex-clientes de vocês não estão todos mortos?
— Pelo contrário, uma parcela mínima deles põe em prática sua predisposição inicial. Tamanho é o conforto que proporciona a contemplação da auto-extinção, consoante Nietzsche.
— Mas é este, então, o propósito filantrópico oculto de vocês? Dissuadir os clientes de seu propósito autodestrutivo, ou auto-extintivo, como diria o senhor?
— De maneira alguma. Não cabe a nós fornecer qualquer tipo de assistência terapêutica; como eu disse, tratamos com pessoas já decididas, e de moto próprio, a deixar este “Vale de Lágrimas”, mas que enfrentam dificuldades, culpa ou medo em seguir adiante. Os que ainda não chegaram ao seu grau mais crítico de depressão ou desespero nada têm a fazer aqui na nossa organização.
— Não obstante isso, por um paradoxo extraordinário, é ao facilitar o acesso à auto-extinção que, segundo o senhor, esta deixa de parecer tão atraente.
— Exatamente. Para o senhor ter uma idéia, Sr. Filisteu, em quatro anos de existência apenas vinte e cinco clientes, dentre milhares, efetivamente levaram a cabo, com nossa assistência, a resolução de remover-se deste mundo. Eram todos portadores de enfermidades terminais que os faziam sofrer muito fisicamente.
— Os vinte e cinco eram homens?
— Apenas duas mulheres. Homens toleram a dor física menos que mulheres.
— Mas, de um modo geral, a qual sexo pertencem as pessoas que recorrem a vocês em maior número?
— Ao sexo masculino, é claro.
— Por quê, Sr. Botura?
— Porque basicamente o que proporcionamos é a contemplação da auto-extinção, e o senso prático das mulheres impede-as de entregar-se à contemplação da mesma forma que os homens. Em se tratando de idéias, a adesão masculina é sempre maior. Além disso, a auto-extinção é um ato essencialmente individualista, e o individualismo também é mais presente nos homens do que nas mulheres.
— O que acontece então ao paciente, digo, ao cliente?
— As consultas se sucedem; o cliente começa a ficar tão empolgado fazendo planos para a própria morte, que nas mais das vezes, conforme já falei, recupera o entusiasmo pela vida e desiste de se auto-extinguir. Não importa se é para a sua morte ou para a sua vida que ele faz planos: fazer planos equivale a desfrutar. Tivemos no ano passado um cliente que chegou aqui em profundo estado de depressão e aceitou nossa sugestão de auto-extinção por inalação de gás. Pois não é que ele encontrou no preparo de gases letais a paixão da sua vida e agora está cursando a faculdade de química?
— Não diga!
— Há, porém, os casos em que tal não ocorre, e a resolução auto-extintiva permanece inexorável. Em tais casos, nossa assistência é mantida até o último dia de vida do cliente, inclusive no tocante a arranjos testamentários e fúnebres. Tecnicamente falando, é-nos indiferente se a pessoa vive ou não; importa-nos apenas que não sofra desnecessariamente.
— Financeiramente falando, no entanto, não deve ser-lhes tão indiferente.
— Sim, é. Pois os vivos que nos mantêm constituem uma parcela mínima dos ex-clientes que optaram por uma nova vida após ter-se consultado sobre a morte.
— Vocês nunca tiveram problemas com a justiça? Algum familiar de um auto-extinto assessorado por vocês que já os tenha processado criminalmente?
— Ah, sim, muita vezes. Por isso procuramos cercar-nos de todas as precauções. Por exemplo, nunca assessoramos menores de idade ou pessoas incapazes de responder pelos próprios atos, e o cliente nos desonera por escrito de toda responsabilidade pelo que possa vir a lhe ocorrer. Jamais fornecemos outra coisa além de informação; os aparatos e substâncias eventualmente empregados pelo cliente devem ser adquiridos por ele. Mesmo nossas apostilas e catálogos só podem ser consultados em nossas dependências, jamais vendidos ou cedidos.
— E a qual classe social pertencem, majoritariamente, os seus clientes?
— Predominam os das classes A e B. Ninguém da classe C e D. O senhor sabe, Sr. Filisteu, as pessoas mais pobres raramente se suicidam. São infelizes demais para isso. Já o perfil típico do auto-extintivo é o de alguém que está infeliz, não de alguém que é infeliz.
— A natureza peculiar da organização de vocês não atrai desocupados e gozadores que a fazem desperdiçar tempo e verbas?
— Atrai, sem dúvida; mas sabemos distinguir os verdadeiros auto-extintivos daqueles que só buscam atenção ou entretenimento. A pessoa realmente determinada a dar cabo da própria existência não corresponde ao clichê cinematográfico do suicida: pálido, desgrenhado, cambaleante, não. O auto-extintivo convicto não busca compaixão alheia, por isso não apela no visual, ou no desleixo do mesmo.
— Qual a atitude dele ao recorrer a vocês?
— Em geral faz muitas perguntas; nada mais natural. Via de regra finge-se apenas curioso; zeloso com a própria morte, não pretende discuti-la levianamente. Quando por fim adquire a confiança de que não receberá da organização ou do seu representante compaixão nem solicitude, mas tão-somente interesse, abre o jogo, e o processo tem início.
Ficamos em silêncio. Ele parecia ter todo o tempo do mundo.
— Muito bem — falei; após nova pausa, prossegui: — Quero que pareça natural ou acidente. Meus desafetos não merecem a alegria de acreditar terem sido a causa. Ouvi falar de um gás que paralisa todas as funções, causando a morte como um sono profundo. Efeito semelhante ao da morfina. Foi usado anos atrás por uns terroristas num teatro, na Rússia. Sabem qual é?


 

Entrevista com Rodrigo Grota


Eu havia pedido uma entrevista ao egrégio Rodrigo Grota, o Kubrick de Londrina. Ele respondeu que tinha mais o que fazer e não podia ficar perdendo tempo dando entrevista para um blog que ninguém lê. No entanto, depois que publiquei a entrevista com o Arrigo Grota, seu irmão gêmeo, subitamente o Rodrigo mudou de idéia, nem imagino por quê, e concordou em responder às minhas capciosas perguntas.


Rodrigo Grota ganhando seu primeiro Oscar pelo documentário “Como ser um bom jornalista e não ser uma boa pessoa”

FILISTEU — Sente o senhor algum desconforto com o rótulo “escritor-e-cineasta”, como tratando-se de um termo híbrido e de resultados frankensteinianos, semelhante a “modelo-e-atriz”, por exemplo?

RODRIGO — Em verdade, só me reconheço nesse passatempo de escritor-e-cineasta pois tenho uma tendência equivocada de buscar o inconsciente. Escrevo e filmo por não ser aristocrático. Inserido à elite, beberia.

FILISTEU — Uma vez que co-autores de um livro são normalmente apresentados em ordem alfabética, a fim de evitar melindres de precedência, como pôde o senhor submeter-se à humilhante indignidade de ter o seu nome e seus textos, no livro, apresentados após os do Sr. Tanga?



RODRIGO — Cabe ao melhor escriba abrir o livro com seus percursos ortográficos. A minha despretensiosa viagem só poderia ser um relaxamento após inebriante discurso do sr. Tanga.

FILISTEU — O senhor está preparando algum outro livro? Se está, pode falar a respeito dele? Não acredita o senhor na afirmação atribuída ao poeta alemão Eingebildet Jemand de que a publicação do segundo livro é o triunfo da esperança sobre a experiência?

RODRIGO — O poeta alemão Eingebildet Jemand torna-se mais verdadeiro quando descobrimos a sua origem ficcional, nos alertando que a preparação de um segundo livro nunca deverá ser consciente. Só se reconhece que uma obra está sendo formada quando o autor se vê distante do mundo e em busca do mais secreto que há em si mesmo.


Cena do filme “Amor em Três Movimentos”, de R. Grota

FILISTEU — Ao colocar nomes de amigos em seus personagens erudito-existencialistas, o senhor acreditou poder enganar alguém, já que é tão óbvio que todos eles são o senhor mesmo?

RODRIGO — Foi uma tentativa de agregar mais leitores, já que eles reconheceriam ao menos um nome nas histórias.

FILISTEU — O que o senhor tem a dizer sobre a opinião do Sr. Paulo Schmidt de que a sua Entrevista com Deus é tão reverente com a divindade, que mais parece retirada ipsis litteris do Catequismo Católico, embora o seu livro tenha sido incluído no Index de livros proibidos do Vaticano e o aiatolá Khamenei tenha publicamente prometido o Paraíso a qualquer maomentano que matar o senhor e o Sr. Tanga?


Queima do livro “Como ser Cult” em Teerã

RODRIGO — O hebreu Paulo Schmidt nutre uma relação masoquista com o criador entre os criadores. Ele acredita que deus seja o nada infinito. Assim, qualquer conversa com o absoluto é negligenciada por nosso amigo judeu. Observando Marx, Freud e Einstein, percebemos que não há nada muito perspicaz no universo de A Hebraica.

FILISTEU — Qual foi sua reação ao saber que versões piratas obscenas do seu livro têm circulado em Sabáudia, ameaçando-lhe as chances de classificação nos Prêmios Jabuti e Camões, para não falar do Nobel?


Versão pirata do livro do Grota

RODRIGO — Sabáudia é o ponto de partida de todas as minhas histórias. Mesmo oculta, ela está em cada linha traçada. Sinto-me lisonjeado que os cidadãos de tão nobre feudo possam ter acesso ao que há de mais refinado nas letras contemporâneas.

FILISTEU — Como responde o senhor às acusações de conivência com a dominação ianque do Terceiro Mundo através do ofício cinematográfico, sendo que o modelo de subvenção estatal ao cinema está com os dias contados, restando apenas o ultracapitalista protótipo hollywoodiano como alternativa viável para a sobrevivência da Sétima Arte?

RODRIGO — O cinema é a arte dos burgos por excelência. Querer produzi-lo em regimes igualitários e totalitaristas é mera blasfêmia. Reconheçamos o poder de manipulação da indústria e tornemos todos escravos da imagem.


Grota ganhando seu terceiro Oscar pelo filme “O Homem que Perdeu o Reflexo”, e a ganhadora do Oscar de melhor atriz nesse filme, a dinamarquesa Hamletícia Ericson.

FILISTEU — Qual a sua réplica aos que afirmam ser Londrina por demais insignificante cultural e historicamente para fazer jus a um filme sobre sua arquitetura e outros aspectos visuais e artísticos?

RODRIGO — Queria fazer um filme sobre o nada, daí a escolha por tão aconchegante vila.

FILISTEU — Depois de filmar Londrina em 3 Movimentos, quais são os seus planos para o futuro, se é que o senhor realmente acredita que terá algum futuro?

RODRIGO — Quero documentar a persona mais digna de interesse em Londrina: mr. Billy, vulgo Antonio Casemiro Belinati. Adoro os vilões, assim como aprecio o sadismo no deus dos católicos. Os tessalonicenses já diziam: procure o algoz; as vítimas enfastiam!

FILISTEU — Na literatura como na direção de cinema, o que o senhor pretende expressar? Sua opção preferencial por Sartre em detrimento de Kant? Seu anti-conformismo contra o uso de gravata? Seu engajamento político contra o emprego de produtos tóxicos nas rações para suricatas? Ou é tudo só para impressionar as mina mesmo?

RODRIGO — Uma reação prazerosa seria provocar a crítica literária de Jeová. Como ele sempre está ausente no msn messenger, nunca me detive em tal diálogo. No mais, o de sempre: distrair a angústia e relaxar a razão, via garotas.

FILISTEU — No tocante a mulheres (ou garotas, como prefere o senhor), não é fato que o seu notório apego por musas, deusas e seres mitológicos afins suscita, via de regra, expectativas irreais que se transformam em desilusão diante de mulheres reais, isto é, de carne e osso, 40 litros de água, 8 kg de gordura, 4 kg de cal, 127 g de açúcar e 12 g de ferro?



RODRIGO — A realidade me interessa por dois ou três segundos. Esta entrevista, por exemplo, só está ocorrendo até a décima primeira pergunta pois estamos em um meio virtual. Como dizia o amigo Graham, a inocência é a melhor forma de insanidade.


 

Cenas do filme do Grota


Do Arrigo Grota, bem entendido. O documentário “Sabáudia em Três Movimentos” está com estréia nacional prevista para 2005, no dia 30 de fevereiro, dia de São Zero, santo padroeiro de Sabáudia.

Eis o Padre Martelo, pregando, aliás, cantando o refrão da trilha sonora do filme: “Erguei as patas e dai glória a Suri!...”


Ao som da música, fiéis dançam e autoflagelam-se para celebrar a Paixão de Suri.



Esta é uma tomada do parque municipal “Jardim do Édenilson”, fundado por Édenilson Amadeus, um antigo prefeito de Sabáudia.



Arrigo Grota conseguiu captar um precioso momento em que o Apóstolo Zero pratica a caridade suristã...



 

O irmão do Sr. Grota




Tentei conseguir uma entrevista com o escritor-cineasta-londrinense RODRIGO GROTA, meu egrégio padrinho, mas ele se recusou a responder às minhas perguntas. Só me restou então entrevistar o irmão gêmeo dele, o também escritor-cineasta-londrinense ARRIGO GROTA (foto), que reside atualmente em Sabáudia.

FILISTEU — A semelhança entre vocês dois vai além da física?

ARRIGO GROTA — Eu nem acho que a gente se parece fisicamente, embora tecnicamente sejamos gêmeos idênticos perfeitos. Somos diferentes em tudo. Pra começar, ele é o irmão gêmeo, eu sou o irmão gênio.

FILISTEU — Mas os gêmeos têm reputação de serem muito unidos.

ARRIGO GROTA — Não, pelo contrário. Já no útero da nossa mãe a gente brigava por espaço. Crescemos brigando. O Rodrigo sempre teve inveja do meu sucesso com as mulheres. Londrina não era grande o bastante para os dois, então fui para Sabáudia.

FILISTEU — Mas vocês seguiram até o mesmo ofício.

ARRIGO GROTA — Sim, mas por motivos totalmente diversos. Eu faço literatura e cinema porque sou um gênio, o Rodrigo faz para conseguir garotas.

FILISTEU — Fale sobre sua literatura.

ARRIGO GROTA — Desde os catorze anos escrevo um livro por ano. Estou agora com vinte e quatro.

FILISTEU — Antes desta entrevista procurei seus 10 livros exaustivamente em todas as 3 livrarias de Londrina, e não encontrei nenhum.

ARRIGO GROTA — Eu disse que escrevi 10 livros, não que publiquei algum. Não sou um escritor comercial. Quando escrevo um livro, o faço para minha satisfação e realização pessoais, não para que outros o folheiem e digam com cara de idiotas: o que será que o autor quis dizer com isso?

FILISTEU — Sente o senhor algum desconforto com o rótulo “escritor-e-cineasta”, como tratando-se de um termo híbrido e de resultados frankensteinianos, semelhante a “modelo-e-atriz”, por exemplo?

ARRIGO GROTA — Não mais do que o senhor com os rótulos de entrevistador-pentelho ou rolha-de-poço.

FILISTEU — O senhor está preparando algum outro livro? Se está, pode falar a respeito dele?

ARRIGO GROTA — Estou, sim. O Rodrigo, que vive ansioso para que eu me rebaixe como ele fez, me convenceu a mandar os originais a um editor judeu amigo dele, mas felizmente este o recusou. O título é: “Roube este Livro”.

FILISTEU — Acho que posso entender por que ele foi recusado.

ARRIGO GROTA — Que me importa o que você entende ou deixa de entender? Pensei que o entrevistado aqui fosse eu!

FILISTEU — Sim, claro, me desculpe. Não acredita o senhor na afirmação atribuída ao poeta alemão Eingebildet Jemand de que a publicação do segundo livro é o triunfo da esperança sobre a experiência?

ARRIGO GROTA — Eingebildet Jemand nunca disse isso. Eingebildet Jemand nunca disse coisa alguma, aliás, já que esse nome, como você sabe muito bem, significa “alguém imaginário”. Você vai parar com essas pegadinhas idiotas ou eu vou ter que criar para o meu próximo filme o personagem de um entrevistador gordo e veado chamado Filisteu?

FILISTEU — Bem lembrado: por que o senhor não fala sobre os seus filmes?

ARRIGO GROTA — Posso dizer que você não vai vê-los em cartaz tão cedo nos 4 cinemas de Londrina.

FILISTEU — Ah, entendo, o senhor também os faz só para si próprio, não é?

ARRIGO GROTA — Não. Ao contrário da minha literatura, meus filmes são estritamente comerciais. Acontece que ainda não os rodei. Eles estão na minha cabeça. Exceto pelo primeiro, que já está em fase de produção.

FILISTEU — Fale um pouco sobre ele.

ARRIGO GROTA — Será um documentário chamado “Sabáudia em Três Movimentos”, e tratará da história da cidade nos seus três principais eventos: sua fundação pelos irmãos Amadeus e Odeiadeus, a Paixão de Mestre Suri, e a descoberta da roda em Sabáudia, há quatro anos. A música tema do filme será cantada pelo saltitante Padre Martelo, da Igreja de São Zero Apóstolo.

FILISTEU — Suas influências cinematográficas são as mesmas do seu irmão Rodrigo? Kubrick, Fellini, Bergman...

ARRIGO GROTA — Deus me livre! Só os nomes desses caras já me dão sono. Meus mestres são Walt Disney e Steven Spielberg.

FILISTEU — Qual o seu filme favorito?

ARRIGO GROTA — O filme que me incentivou a ser cineasta foi “Free Willy”.

FILISTEU — O senhor dá licença para eu ir ao banheiro vomitar e já volto?

ARRIGO GROTA — Esta entrevista já deu mesmo o que tinha que dar.


 

História da minha vida




 

Entrevista com um professor de portunhol



F — Sr. ESTEBAN DIDO, há grande procura no Brasil pelos seus cursos de portunhol?

ED — Lo portuñol és lo idioma oficial de la Puente da Amistad. Pero después de la participación de la bela stripper argentina Antonela en lo programa Big Bruether Brasil 4, lo portuñol quedou en la mueda de novo.

F — Quem são as pessoas que mais recorrem ao aprendizado do portunhol?

ED — Todo muendo que viarra de lo Brasil para un país de língua espanhuela, ou de un país de língua espanhuela para lo Brasil, ou vice-viersa.

F — Por que o portunhol ao invés de português ou espanhol?

ED — Tuedos los brasileños achan que falan espanhuel, e tuedos los hispânicos piensam que falan português, e en los dois casos isso és mentira.

F — Ah, e o portunhol transforma essa mentira em verdade, não é?

ED — No. Ele oficializa la mentira. Los brasileños van continuar sin saber puerra nenhuma de espanhuel, e los hispânicos continuarán sabiendo picas de português. Pero por lo mienos eles van ter un dipluema de que aprenderam outro idioma, e eso dá muito status.

F — E qual la outra... digo, qual a outra vantagem?

ED — Bueno, la outra vantarrem de lo portuñol és que ele és lo contrário de lo peido.

F — Como assim?

ED — Lo peido és lo único idioma universal, porque não tiene sotaque. E lo portuñol és lo único sotaque universal, porque não tiene idioma.

Conclusão: esta entrevista idiota foi um mero pretexto para colocar outra foto da Antonela no blog.


 

A paixão de Mr. Cristo



Eu sou tão religioso quanto um paralelepípedo. Mas quero muito ver o novo filme do Mel Gibson sobre a Paixão de Cristo, que estreou ontem nos Istêites. O primeiro motivo, aliás bem profano, é que a MINHA paixão, a divina Monica Bellucci, interpreta, creio eu, a mulher adúltera. Lembram dela? A tal que o povo queria apedrejar e que o Sr. Cristo perdoou. Será que ele a teria perdoado se fosse o marido chifrudo dela? Bom, isso não vem ao caso.

O segundo motivo é que os judeus estão reclamando do filme, o que por si só o torna obrigatório. A paz mundial agradece qualquer oposição, por menor que seja, às prescrições do poderosíssimo lobby judaico, que domina a economia mundial. Eles acham que o filme, por ser fiel aos evangelhos, é anti-semita, e pode promover ódio contra judeus pelo mundo afora. Interessante o raciocínio desses lobistas. Todos os dias, com sua devastadora força bélica, a maior do Oriente Médio, e todo o dinheiro dos Istêites a bancá-los, eles promovem alguma nova chacina de palestinos, alegando que Israel pertence só a eles por “direito bíblico” (acho que faltei a essa aula no curso de Direito); em todo lugar promovem máfias e panelinhas para continuar enriquecendo sua tribo às custas das nações que os acolheram, exigindo todos os direitos da cidadania sem arcar com nenhum dos seus deveres; hostilizam quem trabalha no sábado ou se atreve a acreditar mais nos evangelhos do que neles; autodenominam-se “povo eleito”; e é um filme que vai fazer com que o planeta os odeie!

Admiro a coragem do Sr. Gibson. Imaginem só: bancar do próprio bolso um filme de 25 milhões de dólares, todo falado em aramaico e latim (os norte-americanos não estão acostumados com legendas como nós), elenco desconhecido, e ainda peitar o lobby judaico, que tem Hollywood no bolso. Sim, porque todos já sabem que a carreira artística dele já era depois dessa ousada empreitada, a saber, fazer um filme sobre Cristo de acordo com sua fé católica, e não segundo ditames judaicos alheios. Cabra macho esse.

Portanto, quando o filme estrear por aqui, irmãos, exorto-vos: mesmo que religião vos dê náuseas; mesmo que acrediteis, como eu acredito, que a fé cristã é um plágio da fé suristã, a única verdadeira que existe, fora da qual tudo é obra do demônio; assistam ao filme, digam não ao lobby judaico. Vocês perderão seus empregos, sofrerão processos e represálias, terão seus joelhos arrancados e seus testículos grampeados, suas mulheres violadas e seus filhos desventrados, e por fim uma morte lenta e miserável; mas pelo menos... pelo menos... Bom, será por uma boa causa, embora eu ainda não saiba qual.


 

Direito de Resposta


Direito de resposta concedido pelo Exmo. Sr. Juiz da 20a Vara de Pesca Cível de Sabáudia, ao não menos Exmo. Sr. Prefeito de Sabáudia, Dr. Suri Cássio Amadeus, de quem, aliás, é cunhado.

Venho por meio desta refutar as calúnias que o Sr. Carlos Fonseca Dias, vulgo Filisteu, tem veiculado neste blog contra Sabáudia, Cidade Santa e centro mundial de peregrinação de todos os suristãos de Urântia, através de textos mentirosos e imagens falsas, retratando uma Sabáudia decrépita e paupérrima, e insinuando que tal decrepitude e miséria seriam resultantes da rapinagem de sua idônea e ilibada classe dominante, uma mentira deslavada, fruto de uma imaginação doentia e talvez entorpecida por excesso de gordura, a julgar pela condição física desse cidadão.

Após cuidadosa investigação, não temos dúvida que este ignóbil e obeso indivíduo, tão calorosa e hospitaleiramente acolhido por nós, sabaudienses, a despeito de ter, numa prévia ocasião, inundado a nossa cidade com ações de uma firma em concordata, causando enorme prejuízo a muitos investidores locais (entre os quais eu mesmo), é na verdade um espião do Grande Satã norte-americano, sendo seu verdadeiro propósito, ao fazer-se passar por representante da empresa falida Sabonete Pilatos S. A., o de observar as fortificações da nossa cidade para que, de posse dessas informações estratégicas, o Grande Satã possa novamente nos atacar.

Mas nossa santa cidade, nascida do leite de Nossa Senhora, a Grande Mãe Suricata, e berço do Salvador de Sabáudia, o divino Suri, Nosso Senhor, conta com a proteção celeste, e nunca mais será novamente alvo da iniqüidade do Grande Satã. Sem mencionar que durante minha administração Sabáudia tornou-se a cidade-modelo de toda Urântia.

Reproduzo a seguir imagens VERDADEIRAS de Sabáudia:

Uma vista da nossa Cidade Santa...


... e do Aeroporto Internacional de Sabáudia.


Este é o saguão do Sabáudia Hilton.


Este é o McDonald’s do Shopping Sabáudia.


Eis uma verdadeira imagem da represa Águas Furtadas.


Aí pode ser visto o transporte coletivo de Sabáudia em ação.


O povo de Sabáudia refuta, portanto, as mentiras do gorduroso Falso Profeta Filisteu, e conclama os irmãos suristãos de toda Urântia a agirem segundo as palavras divinamente inspiradas do Apóstolo Zero, na sua Segunda Epístola aos Apucaranenses: “Muitos Falsos Profetas tentarão desviar-vos do caminho da verdade, mas o caminho é Sabáudia, e a verdade é Mestre Suri. A esses Falsos Profetas, pois, ordena o Senhor que apedrejeis em praça pública, depois lhes arranqueis os joelhos e os façais assistir a toda a Mostra Internacional de Filmes Bósnios organizada pelo Grota.”

Que a paz de Suri, o amor da Mãe e a comunhão do Espírito de Sabáudia estejam convosco para sempre.



 

O segredo de Sabáudia


Encerro aqui o ciclo de posts dedicados à minha viagem a Sabáudia, transcrevendo a entrevista que fiz com a eminente Dra. Suri Kátia Odeiadeus, Doutora em Sabaudiologia pela UNISEX (Universidade Sabaudiense de Estudos Xamânicos) e autora do único Dicionário Sabaudiês-Português de que se tem notícia.


A Dra. Suri Kátia Odeiadeus me concedeu essa entrevista no seu escritório em Curitiba, mas sua gentileza inicial transformou-se em rispidez e má vontade tão logo ela soube que a entrevista não seria publicada em nenhum jornal importante, e sim num blog que ninguém lê. Antes que ela me mandasse embora, disparei a primeira pergunta:

— Dra. Suri Kátia, estive em Sabáudia recentemente e observei que o povo anda muito assustado com o advento do Antissuri, a terrível Besta e Falso Profeta que, segundo uma antiga profecia no Evangelho de Suri, tentará destruir a fé suristã na época atual. O que a senhora tem a dizer sobre isso?

— Isso não passa de uma superstição ridícula, criada por um povo miserável que ainda sofre os efeitos da bomba atômica jogada pelo maníaco George II Bullshit no ano I da Era Suristã.

— Não acha a senhora que a cidade já teve tempo para auto-reconstruir-se?

— As guerras civis — respondeu ela — entre os clãs Amadeus e Odeiadeus fizeram a cidade prosseguir na era medieval até hoje, mas cada vez que alguém chega ao poder, põe a culpa dessa corrupção e atraso no “Grande Satã” vindo de fora. E há também os efeitos radioativos da bomba, que se perpetuam de geração para geração.

— Como assim?

— Os efeitos radioativos dessa explosão nuclear subsistiram no decorrer das eras, dando a uma parcela de sabaudienses certa deformidade facial característica e genética.

— Qual deformidade?

— Você deve saber qual, você esteve lá. Escute, podemos deixar isto para depois? Lembrei que tenho um compromisso agora e...

— Certamente, certamente. Só me diga, por favor, a que deformidade a senhora se refere.

— Eles desenvolveram focinho comprido e uma espécie de máscara no rosto, semelhante a óculos ray-ban.

— Ou seja, o aspecto facial de suricatas?

— Exatamente.

— Como o da senhora, por exemplo?

— Sim, como o meu.

— Mas, doutora, fui informado que as pessoas com cara de suricata são uma casta de privilegiados, descendentes dos fundadores da cidade e que, por terem a imagem e semelhança da Grande Mãe Suricata e de Seu Filho Suri, herdarão o Reino de Sabáudia.

Com seu focinho animal ela soltou guinchos terríveis, que vim a descobrir serem gargalhadas. Terminando de rir, a Dra. Kátia disse:

— Será possível que até você, que não é de lá, acabou engolindo toda essa papagaiada supersticiosa?

— Mas...

— Essa deformidade que faz as pessoas parecerem suricatas resulta de mutação genética causada pela radioatividade. Quando os primeiros mutantes com cara de suricata começaram a nascer, o governo inventou toda essa história de Mãe Suricata e Mestre Suri para fazê-los parecer divinamente privilegiados.

— Por que o governo faria uma coisa dessas?

— Você mesmo já respondeu a essa pergunta — ela disse, com uma ponta de fastio —: porque só a classe dominante de Sabáudia herdou essa deformidade congênita. Afinal, só os ricos da cidade sobreviveram ao ataque nuclear, pois possuíam abrigos subterrâneos nas suas fazendas. Quando o perigo passou, eles trouxeram gente de fora para reconstruir a cidade e trabalhar para eles. Mas os descendentes desses sobreviventes à radioatividade nasceram e nascem até hoje com cara de suricata.

— Como a senhora.

— Sim, como eu, seu moleque chato! Pertenço ao clã Odeiadeus, e meu pai foi o maior fazendeiro da região, além de presidente da SRS, a Sociedade Rural de Sabáudia. Você não acha mesmo que eu ganho a vida como sabaudióloga, acha?

— Mas, como a senhora explica que Mestre Suri também apresente essa deformidade, segundo as várias imagens que vi dele?

— Será que você não entendeu nada do que eu disse, seu palerma? NUNCA EXISTIU MESTRE SURI NENHUM! E MUITO MENOS UMA GRANDE MÃE SURICATA! Eles são um mito, uma lenda criada pela gente rica com cara de rato, que inventou deuses com cara de rato para conservar seu status e privilégios na cidade.

— Mas... mas... a bomba atômica foi uma represália ao ataque de Mestre Suri ao imperador Bullshit quando este veio a Sabáudia...

A Dra, Kátia olhava para mim como se estivesse diante do mais perfeito cretino.

— Meu Deus, você não passa de um completo imbecil! Então você acha mesmo que o Bullshit já esteve em Sabáudia? Nem os brasileiros sabem onde fica Sabáudia, quanto menos os norte-americanos, que pensam que o Rio de Janeiro é a capital de Buenos Aires. A passagem do Bullshit por Sabáudia é mais uma lenda idiota. Se você me dá licença agora...

— Se ele desconhecia a existência de Sabáudia, doutora — continuei, ignorando o aparte —, como pôde julgar que havia armas de destruição em massa nela? Foi por causa disso, afinal de contas, que ele jogou a bomba, não foi?

— Na verdade a bomba ia ser jogada em Bogotá, mas como americano não sabe ler mapa, Sabáudia é que foi atingida.

— O que a senhora está me dizendo, então, é que a religião suristã não passa de uma enorme farsa?

— Como todas as religiões. Bom, agora chega. Dá o fora daqui.

— Só mais essa, doutora, só mais essa. Além da senhora, alguém mais sabe disso tudo?

— Não, mas vai saber. Amanhã começo a ministrar um ciclo de palestras pelo Brasil afora, e em todo lugar onde eu for, vou contar a verdade sobre aquele povinho troglodita e sua ridícula religião mustelídea.

— Mas a senhora, como cidadã sabaudiense, não sente certo escrúpulo em fazer ao mundo uma revelação que mergulhará no ridículo a sua cidade e a fé dos seus habitantes?

— Eu estou me lixando para aquela cidadezinha de merda! Saí de lá faz 40 anos, não devo nada àquela estrumeira. Além do mais, o poder está agora nas mãos do clã Amadeus, rival do meu. O que eu quero é grana. E quando eu contar ao mundo que Sabáudia é dominada por uma casta de mutantes com cara de gambá e que é devota de deuses com cara de ratazana, vou faturar uma grana preta dando palestras, entrevistas e escrevendo artigos e livros sobre a grande farsa sabaudiense.

— Nesse caso, ficarei muito honrado em ser o primeiro a tornar pública tão bombástica notícia. A senhora se importaria se eu tirasse uma foto da senhora, para a matéria que publicarei no TIPOS, a página mais acessada de toda Urântia?

— Só se for rápido, garoto, que eu não posso perder mais tempo dando entrevista para blogueiro.

— É rapidinho, prometo. Vou pegar minha câmera.

Minha câmera, como eu já disse, tinha sido roubada em Sabáudia (a foto acima é de arquivo), portanto não era uma câmera o objeto metálico que tirei de dentro da minha mochila. Mirei cuidadosamente. Ela nem percebeu, pois olhava o seu relógio, impaciente pelo fim. Fiz-lhe a vontade. O tiro foi direto no coração, súbito, indolor; ela desmontou na cadeira como um boneco tirado da tomada.

Quando a polícia chegou, eu já tinha voltado a São Paulo, e de ônibus. Nunca chegaram a mim, embora pelo menos vinte pessoas tenham me visto entrar e sair da cena do crime. Ouvi dizer que prenderam um assaltante conhecido na vizinhança, solto dois dias depois por problema de superlotação no presídio. Nem era a primeira vez que o prendiam. Isto é Brasil.

Mas mesmo que a polícia deste país prestasse para alguma coisa, não me fariam confessar jamais, nem mesmo sob tortura, que quando me converti, em Sabáudia, à fé suristã, jurei liquidar o Antissuri, que só poderia ser o último descendente do amaldiçoado rei Odeiadeus IV, o réprobo, ímpio algoz de Mestre Suri. E quem era esse último descendente? A Dra. Suri Kátia Odeiadeus, naturalmente, a blasfemadora Falsa Profetiza, a Besta em pessoa... ou quase pessoa.

Os sabaudienses, que quase me expulsaram a pedradas, nunca saberão que fui seu segundo salvador, que os livrei da monstruosa Besta, e que graças a mim a fé suristã sobreviverá até o fim dos tempos. Mas o que importa é EU saber que cumpri minha missão, e que posso agora morrer tranqüilo, na certeza de passar a eternidade no Reino Celestial de Sabáudia. E nem vou precisar comer escorpiões para isso.

Não contei, nem jamais contarei a ninguém nada disso, nem tampouco o teor de minha conversa com a sabaudióloga; só escrevo aqui porque sei que ninguém vai ler. Morte a todo infiel que blasfemar contra a Grande Mãe Suricata e Seu sagrado Filho, Nosso Senhor! Pois está escrito: “Oberdenk niagat neka, niagareit Ka vôr devant Haîve Motrim neka. Fer denk rabedëm beker daß nômal.” Amém! Que assim seja!

______________

* Traduzido do sabaudiês: “Todo aquele que me negar, eu o negarei diante da minha Mãe que está nos Céus; a este seria melhor que nunca houvesse nascido.”


 

Burra, sí, pero muy gostuesa




O restante do diário está no site Kibe Loco. É impagável, mesmo para quem não perde tempo vendo BBB. A mina parece ser uma versão portenha da loira burra. Para mim, que só a conheço de fotos, uma deusa.


 

From Sabáudia with love (epílogo)


ÚLTIMAS FOTOS

Estas são as últimas fotos que consegui tirar em Sabáudia antes que minha câmera fotográfica fosse roubada. Aqui, podemos ver o eficiente serviço de transporte coletivo da cidade.


Sabáudia não possui nenhuma atração turística além do Sabáudia Shopping, onde fazíamos compras nas horas vagas.


Numa dessas ocasiões tive a infelicidade de encontrar o célebre escrevinhador sabaudiense JOSÉ SURIMAGO, o mais chato, prolixo e pretensioso de toda Sabáudia, e também o mais rico, embora banque o comunista.


Observei, aliás, que entre a gente rica dessa cidade (ou seja, entre os descendentes dos clãs Amadeus e Odeiadeus) é muito comum encontrar humanos com características de suricata. Um religioso suristão me explicou que, como os fundadores de Sabáudia, Amadeus e Odeiadeus, embora humanos, foram criados e amamentados pela Grande Mãe Suricata, os descendentes deles adquiriram a imagem e semelhança de Nossa Senhora e de Seu Filho Suri, e serão os primeiros a herdar o Reino Celestial de Sabáudia, da mesma forma como seus ancestrais herdaram o Reino Terrestre de Sabáudia.


Mas a explicação não me convenceu. Pareceu-me que havia algum mistério por trás disso. Qual seria a verdadeira origem desse peculiar aspecto de suricata entre os privilegiados da cidade? Talvez um lembrete de que os ricos e poderosos não passam de animais?

Descobri o segredo dias depois, em Curitiba...


 

From Sabáudia with love (parte 6)


A VIAGEM CONTINUA...

Geralmente as cidades santas não acolhem muito bem os forasteiros, vistos como infiéis, portanto inimigos.

Em Sabáudia é pior ainda, pois os sabaudienses acreditam que os cristãos plagiaram o Deus deles. Mas há também o fato de que a cidade até hoje não se recuperou de todo da devastação causada pela bomba atômica lançada por George II Bullshit, no ano I da era suristã, motivo pelo qual os sabaudieneses odeiam o capitalismo ianque mais do que tudo no mundo.

Agora que já contei um pouco da história milenar de Sabáudia, de sua religião e de sua culinária, vou continuar a mostrar as fotos da minha viagem de negócios lá.

Logo que cheguei, fui recebido pelo prefeito, o Dr. Suricássio, que na foto está mostrando o tamanho do pauzinho com que as suricatas japonesas comem.


Meu paternal chefe havia feito reservas para mim e para minha família no SABÁUDIA HILTON, o melhor hotel da cidade. Esta foto é da fachada do hotel.


Esse é o gerente do hotel me entregando as chaves do meu quarto.


Nessa foto vocês podem ver a minha mulher, meus três filhos e meu cachorro Gêngis Cão na suíte presidencial que nos foi reservada.


Esse é o salão de festas do hotel. Um luxo só!


Essa é a piscina olímpica.


E essa é a cozinha. Curiosamente, depois que a visitamos, o Gêngis Cão desapareceu.


O restaurante era muito bom. Vejam as crianças deliciando-se no bufê.


O hotel tem um serviço de vigilância eficiente pacas.



 

From Sabáudia with love (parte 5)


A SABEDORIA DE MESTRE SURI



Quem tem caspa só deve usar roupa branca.

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Sonhar com cobras é sinal que se está começando a compreender algo obscuro.

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Não tenteis amar-vos uns aos outros; além de impossível, dá origem a hipocrisias. Para que vos torneis suricatas na outra vida, basta que não vos prejudiqueis mutuamente, o que não é pouca coisa.

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Sede estéreis, não frutifiqueis; pois quanto menos vidas existirem, maior será o valor de cada vida individualmente.

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O povo é ignorante por definição; ao tornar-se esclarecido, deixa de ser povo, torna-se um grupo de indivíduos.

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Cada homem não só pode, como deve ser uma ilha; mas uma ilha que acolhe os náufragos que o mar da vida lhe atira.

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O homem sábio é aquele que saberá amanhã porque as coisas que ele previu ontem não aconteceram hoje.

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Democracia em país subdesenvolvido é apenas democratizar o subdesenvolvimento.

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Olhai para as suricatas, que cavam buracos em busca de larvas e escorpiões para comer. Elas não organizam sociedades decadentes nem igrejas sectárias, e no entanto Nossa Mãe Suricata provê o sustento delas. Enquanto não vos tornardes suricatas, não entrareis no Reino de Sabáudia.

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O Reino de Sabáudia é que nem aposentadoria: a gente espera a vida inteira ela chegar, mas ela só chega depois que a gente morre.

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A moral de hoje será a perversão de amanhã, e vice-versa. Que o bom senso atemporal seja vossa única moral.

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Não existe moral; existe apenas temperamento.

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O Tempo é o único diabo.


PARÁBOLAS DE MESTRE SURI

Um homem tinha dois filhos. Ao primeiro ensinou que não deveria nunca ter medo de nada, ser sempre bravo, destemido e arrostar o perigo. Um dia o rapaz encontrou um urso e enfrentou-o. O urso o fez em pedaços. O pai ensinou então ao seu outro filho que este nunca deveria enfrentar o urso, mas antes temê-lo como à própria morte. Esse filho deu de cara, certo dia, com um urso, mas ficou tão enrijecido de pavor que não conseguiu fugir. O urso o fez em pedaços.
Moral da história: coerência absoluta de comportamento só funciona para ursos.


Um pássaro dizia a uma árvore:
— Não quero ser como tu, que crias raízes e ficas estática. Almejo desbravar, livre, leve e solto o céu infinito.
— Está muito bem — respondeu a árvore ao pássaro —, contanto que não esqueças que não é no céu que farás teu ninho, mas nos meus galhos.
Moral da história: quem fica procurando moral em toda história é besta.


 

From Sabáudia with love (parte 4)


DELÍCIAS DA CULINÁRIA SABAUDIENSE



O escorpião é o alimento mais tradicional e apreciado de Sabáudia, em recordação do mandamento do sublime Mestre Suri:

“Todo aquele que comer do escorpião da vida, será uma suricata em seu coração e portanto digno de se tornar uma suricata na outra vida e de herdar o Reino de Sabáudia por toda a eternidade. Quem não comer do escorpião da vida, não terá parte no Reino de Sabáudia, e Minha Mãe e Eu o rejeitaremos e ele será lançado no inferno, onde assistirá a filmes russos e alemães na companhia do Grota por toda a eternidade.” (Evangelho de Suri, Cap. XII, versículo 23)

Continuando a mostrar as fotos de minha memorável viagem a Sabáudia, apresento o prato típico dessa grande metrópole gastronômica: a deliciosa pizza “quattro scorpioni”...


... muito apreciada sobretudo pelas suricatas de Sabáudia. Esta rara foto põe por terra a muito difundida lenda de que nunca se viu uma suricata comendo pizza em Sabáudia.





 

From Sabáudia with love (parte 3)


O EVANGELHO DE SURI

Quando Mestre Suri veio ao mundo, este era governado pelo satânico imperador George II, o Bullshit, que enfiou na sua tirânica e obtusa cabeça que Sabáudia tinha armas químicas de destruição em massa.


O abominável imperador foi a Sabáudia. Então Mestre Suri, que não passava de um bebê suricata, demonstrou seu caráter santo e divino ao atacar, e quase matar, o Grande Satã.


Em represália a esse ataque, Bullshit mandou jogar a bomba atômica sobre Sabáudia. Nove décimos da sua população foram dizimados, mas felizmente Mestre Suri escapou com vida, e todos os sabaudienses deram graças à Mãe Suricata e ao Seu Filho por estes terem ajudado a resolver o problema da superpopulação na Cidade Santa.


Mestre Suri foi o único ser a possuir a essência divina da Grande Mãe Suricata, sendo ao mesmo tempo homem. Sua missão na Terra era salvar os homens de Sabáudia para que, na outra vida, eles possam nascer suricatas, sendo a suricata uma criatura muito mais evoluída espiritualmente, criada à imagem e semelhança da Grande Mãe Suricata. Como o povo não entendia patavina de sua mensagem redentora, Mestre Suri começou então a realizar milagres, como a multiplicação de larvas e escorpiões para alimentar uma multidão, a expulsão de demônios (isto é, divindades das outras religiões), e fazendo com que mortos (isto é, pessoas que descansavam tranqüilas depois de uma vida miserável) ressuscitassem (isto é, retornassem à sua vida miserável).


No ano 30 d.S., o rei Odeiadeus IV, o Réprobo, aliado e fantoche do imperador, teve medo de que Suri, filho único da Grande Mãe Suricata e portanto legítimo rei de Sabáudia, fosse destroná-lo, por isso mandou a carrocinha levá-lo e abatê-lo. Encolerizada contra o tirano perverso, ignóbil, execrável e ruim pra cacete, a Grande Mãe Suricata enviou um escorpião para aniquilá-lo. Por isso o escorpião é um animal tão sagrado na religião suristã.


Desde então os suristãos afirmam que o divino Suri não morreu, mas que uma fiel suricata sósia dele foi abatida no seu lugar, e que o Mestre voltará, no final dos tempos, para aniquilar o Grande Satã e conduzir à Sabáudia Celeste todas as suricatas e homens dignos de se tornarem suricatas, a fim de viverem na bem-aventurança, comendo larvas e escorpiões por toda a eternidade.


 

From Sabáudia with love (parte 2)




Sabáudia é uma cidade santa, da estatura de uma Jerusalém, Meca ou R'lyeh. A divindade suprema adorada lá é a GRANDE MÃE SURICATA, que, segundo a tradição sabaudiense, amamentou e criou os gêmeos Amadeus e Odeiadeus, os quais cresceram e fundaram Sabáudia no século XII a.S.


Amadeus e Odeiadeus inauguraram uma dinastia de governantes tão corruptos, que no século X a.S. a Grande Mãe Suricata, horrorizada com os pecados que a sua cidade cometia, fez com que ela fosse alagada por um dilúvio e desaparecesse por mil anos.


Hoje em dia não há vestígio desse dilúvio, como podemos ver nesta foto da represa Águas Furtadas, a maior de Sabáudia.


No primeiro ano d.S., a Grande Mãe Suricata enviou ao mundo o sagrado SURI, seu único Filho, para redimir os sabaudienses dos seus irremissíveis pecados...


... e pregar o advento do Reino Celestial de Sabáudia. “Akâ vostro inñer daß goßo Sbaudëm kizerîm”, disse o sagrado Suri, o que em dialeto sabaudiês significa “O Reino de Sabáudia está dentro de vós”.



Muito devotos, os sabaudienses se penitenciam severamente todos os dias para que Nossa Senhora a Grande Mãe Suricata e Nosso Senhor Suri os perdoem por seus imperdoáveis pecados.


Mas eles não serão perdoados tão cedo, pois tem circulado em Sabáudia uma versão transexual-crente do livro Como Ser Cult & Agarrar Garotas no Valentino, totalmente pirata.



 

Repercussão do livro do Tanga e do Grota




No mundo inteiro ninguém fala de outra coisa além do best-seller Como Ser Cult & Agarrar Garotas no Valentino, dos Srs. Grota e Tanga. A seguir, alguns depoimentos de pessoas célebres sobre o livro:

Sr. Cristo:




Antônio Dá Bandeiras:




José Saramoco:




Presidente George W. Bullshit




Presidente Mula:




 

From Sabáudia with love (parte 1)


Como já contei, estive recentemente em Sabáudia para fechar um contrato de distribuição do Sabonete Pilatos naquela cidade-estado, a qual eu já visitara uma vez.

A entrada da cidade, como vocês podem ver, é muito convidativa.


Havia até comitê de recepção à minha espera.


Logo de cara encontrei um agradecido cliente a quem eu tinha vendido várias ações da empresa em que trabalho.


Encontrei também o ODEIADEUS, irmãozinho caçula do Amadeus.


Ainda estou revelando as outras fotos da viagem...


 
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